Habitação inclusiva ganha destaque em palestra

O evento ocorreu na Quarta Nobre


No dia 15 de abril, a arquiteta Silvana Cambiaghi participou da Quarta Nobre do CRECISP com a palestra “Habitação Inclusiva: Garantindo Acesso para Crianças, Idosos e Pessoas com Deficiência”. Durante o encontro, a especialista destacou a importância de projetos arquitetônicos que contemplem acessibilidade, mobilidade e autonomia, promovendo o uso digno dos espaços urbanos por toda a população.

Segundo Silvana, a habitação inclusiva deve ser entendida como um direito fundamental. “A habitação é necessária para todas as pessoas. É um direito constitucional”, afirmou. Ela provocou a reflexão sobre o cenário atual ao questionar: “As casas existentes garantem acesso e usufruto de crianças, idosos e pessoas com deficiência?”.

A arquiteta enfatizou o conceito de desenho universal, que propõe ambientes utilizáveis por todos, sem necessidade de adaptações posteriores. “Na realidade, é um espaço que permite o uso por todas as pessoas, simultaneamente”, explicou. De acordo com ela, esse conceito também prevê flexibilidade ao longo do tempo: “A casa precisa acompanhar todas as etapas da vida da pessoa”.

Silvana também compartilhou experiências práticas que evidenciam a urgência do tema. “Quantas e quantas vezes fui chamada porque houve algum acidente, e a pessoa não conseguia voltar para o seu próprio lar”, relatou, ressaltando que a falta de acessibilidade afeta pessoas independentemente de sua condição financeira.

Ao contextualizar historicamente, a arquiteta destacou que a preocupação com acessibilidade não é recente. “Segundo alguns estudos, os gregos já construíam rampas de acesso há mais de dois mil anos”, afirmou. Ela também citou exemplos da arquitetura modernista, como residências com rampas e soluções integradas, demonstrando que a inclusão sempre foi possível do ponto de vista técnico.

Outro ponto abordado foi a evolução dos espaços domésticos, como banheiros, que muitas vezes ainda não atendem às necessidades básicas de acessibilidade. “Como uma pessoa com mobilidade reduzida consegue utilizar esses ambientes hoje?”, questionou.

A palestrante reforçou, ainda, a necessidade de mudança de mentalidade no setor imobiliário e na construção civil. “Precisamos nos perguntar: as habitações que produzimos são para quem?”, concluiu, destacando que cidades mais inclusivas são essenciais para garantir qualidade de vida e igualdade de acesso para todos.